Hospital do Servidor Público em momento crítico


Episódios recentes expuseram publicamente o sucateamento do Hospital do ServidorO Hospital do Servidor Público Municipal, localizado na Aclimação, está pedindo socorro. Nos últimos meses, aumentaram as denúncias de funcionários e pacientes sobre a precariedade no atendimento e na infraestrutura, segundo o Sindisep (Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de São Paulo).
O panorama atual facilita a ocorrência de erros médicos. Na última quarta-feira, por exemplo, o recém-nascido Pedro Henrique teve os olhos queimados por causa de uma aplicação errada de nitrato de prata. A substância, utilizada na concentração certa, serve para prevenir a bactéria que provoca a gonorreia. O hospital integra o SUS (Sistema Único de Saúde). 

“Recebemos reclamações constantes, tanto de funcionários quanto de pacientes, sobre as péssimas condições do hospital. Existem atualmente poucos profissionais da área médica e de enfermagem, pois os salários são baixos. Isso gera sobrecarga de trabalho e os funcionários ficam propensos aos erros”, afirmou a presidente do sindicato, Irene Batista de Paula.
No PS (Pronto-Socorro), a demora no atendimento é comum. Na última sexta-feira, o DIÁRIO esteve no hospital, à tarde, e foi informado que o atendimento para dor nas costas, por exemplo, demoraria cerca de seis horas, contando o tempo de passagem pela triagem e de um médico especialista. Ontem, o DIÁRIO esteve novamente no hospital e o tempo informado, para a mesma situação, foi de quatro horas.
De acordo com o protocolo de Manchester, que padronizou internacionalmente o atendimento em emergências, o tempo máximo de espera para um caso pouco urgente, por exemplo, não deve ultrapassar duas horas. 

Em outras unidades de saúde da capital é também comum encontrar demora na marcação de consultas, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde.
Outros episódios recentes expuseram publicamente o sucateamento do Hospital do Servidor Público Municipal. Em junho, o auxiliar técnico de enfermagem Carlos Duarte Vieira, de 51 anos, que trabalhava no PS, divulgou um vídeo que escancarava superlotação, falta de funcionários, falha na segurança e equipamentos quebrados ou defasados, além de esgoto a céu aberto. Como resultado, Vieira foi demitido e atualmente processa o hospital. Em novembro do ano passado, veio à tona o caso de um tomógrafo novo abandonado durante dois anos no depósito. A Secretaria Municipal de Saúde alegou, na época, que o aparelho tinha muitos reparos de manutenção, o que foi rebatido pelo sindicato dos funcionários. A secretaria considera que o hospital não está falhando nos serviços prestados, pois atende 70 mil pacientes por mês. Disse que os pacientes no PS são atendidos conforme as prioridades. Sobre o caso do bebê, ressaltou que todos os envolvidos foram afastados das funções. 
diariosp.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário